Santos dos Últimos Dias e a Alemanha Nazista

Santos dos Últimos Dias na Alemanha Nazista
1933–1939
Os anos antes da guerra
30 de janeiro de 1933
8 de setembro de 1933
Outubro de 1933–janeiro de 1934
A polícia nazista na Alemanha começa a relatar sobre a atividade missionária SUD e as reuniões locais da igreja na Alemanha.[5]
13 de junho de 1935
Agosto de 1935
O prefeito nazista da cidade de Mildensee (Dessau) escreve uma carta ao Ministro do Reich para Esclarecimento Público e Propaganda reclamando da presença de membros da Igreja em sua cidade.[7]
1935–1936
Os nazistas continuam espionando a Igreja na Alemanha.[8]
Janeiro de 1936
Missionários santos dos últimos dias treinam a seleção alemã de basquete para se preparar para as Olimpíadas de Berlim.[9]
30 de abril de 1936
Líderes da missão se reúnem com autoridades nazistas e são avisados de que “as medidas mais rigorosas da polícia do Estado seriam tomadas contra a seita” se a Igreja algum dia fosse suspeita de se opor ao regime nazista.[10]
Maio de 1936
Roy Welker escreve cartas aos missionários na Alemanha e à Gestapo insistindo na neutralidade política da Igreja e incentivando os missionários a não discutir política.[11]
Junho de 1936
Um santo dos últimos dias em Freiberg é preso por se recusar a fazer a saudação nazista ou cantar o hino nacional depois de ouvir um dos discursos de Hitler no trabalho.[12]
23 de junho de 1936
Um ex-membro da Igreja nazista fala negativamente sobre a Igreja enquanto é interrogado pela polícia.[13]
4 de julho de 1936
19 de janeiro de 1937
Um memorando da polícia sugere proibir a Igreja na Alemanha “por motivos ideológicos”.[15]
Abril de 1937
Um memorando interno do governo indica que uma proibição geral da Igreja na Alemanha estava sendo considerada, mas foi adiada naquele momento por ser "atualmente inviável".[16]
Julho de 1937
5 de maio de 1938
14 de abril de 1939
1939–1945
Os anos de guerra
1º de setembro de 1939
1939–1941
5 de fevereiro de 1942
27 de outubro de 1942
Abril–maio de 1945
Hitler comete suicídio em Berlim em 30 de abril de 1945, e a Alemanha se rende formalmente às Potências Aliadas uma semana depois, em 8 de maio.[28]
A Igreja alguma vez apoiou o regime nazista?
Não. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nunca apoiou as políticas nem as crenças do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (nazista).[31] Em outubro de 1942, a Primeira Presidência condenou o nazismo como algo vindo de "homens iníquos e ardilosos".[32]
Não há registro de líderes da Igreja alguma vez instruírem os santos dos últimos dias alemães a se tornarem nazistas ou adotarem a ideologia nazista.[33] Os líderes da Igreja enfatizaram a neutralidade da Igreja na política partidária[34] e incentivaram os missionários a não participar da política enquanto serviam na Alemanha.[35]
Os ensinamentos da Igreja são compatíveis com o nazismo?
Não. Os ensinamentos da Igreja são fundamentalmente incompatíveis com os princípios centrais do nazismo.[36] Em 1938, um relatório sobre a Igreja escrito para o oficial nazista Alfred Rosenberg concluiu que "os ensinamentos dos mórmons são incompatíveis com a visão de mundo nacional-socialista".[37] Os nazistas desprezavam especialmente a simpatia dos santos pelos judeus e seu uso do Velho Testamento.[38][39]
Mas não há semelhanças entre o que a Igreja ensina e o nazismo?
Alguns apontaram semelhanças entre algumas coisas que a Igreja ensina e alguns aspectos da ideologia nazista, como interesse em história da família, saúde física e obediência.[40][41]
Mas alguns líderes da Igreja não disseram coisas positivas sobre os nazistas?
Sim. Alguns líderes da Igreja na Alemanha e nos Estados Unidos disseram coisas positivas sobre certos aspectos do governo nazista na Alemanha, como sua ênfase em vida saudável, genealogia, ordem social e arrecadação de doações para os pobres.[42]
No entanto, outros líderes da Igreja criticaram o nazismo de forma aberta, como David O. McKay,[BIO] que chamou Hitler de “ditador assassino”,[43] e John A. Widtsoe,[BIO] que chamou Hitler de “doente mental” e as crenças raciais nazistas de “uma ilusão feia”.[44][45]
Os nazistas sabiam dos sentimentos negativos gerais que os líderes da Igreja tinham em relação a eles.[46]
É verdade que missionários ajudaram a treinar o time alemão de basquete para as Olimpíadas de Berlim de 1936?
Sim. Em preparação para as Olimpíadas de Berlim de 1936, as autoridades alemãs procuraram missionários da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias para ajudar a treinar o time nacional de basquete.[47] Os missionários aceitaram essa oferta como uma oportunidade de superar a oposição contra a Igreja na Alemanha.[48]
A Igreja condenou a Alemanha quando a Segunda Guerra Mundial começou?
A Primeira Presidência condenou a guerra na conferência geral, mas sem citar especificamente a Alemanha,[49] dizendo que Deus imporia “punições eternas” àqueles que fizessem guerra “injustamente”.[50]
Os santos dos últimos dias tinham mais ou menos probabilidade de ser membros do partido nazista?
Menos de 3% dos santos dos últimos dias alemães eram membros do Partido Nazista,[51] em comparação com a população alemã em geral, em que a filiação era de cerca de 10%.[52]
Por que um santo dos últimos dias se tornaria nazista?
Alguns motivos citados incluíam crença pessoal no nazismo, crenças ou sentimentos antissemitas, pressão para entrar por motivos sociais ou como exigência para emprego no governo.[53][54]
O que os nazistas achavam dos mórmons?
O regime nazista suspeitava da Igreja e não confiava nela,[55] mas, como política geral, permitiu que a Igreja continuasse funcionando na Alemanha entre 1933 e 1945,[56] embora com algumas restrições.[57] As atitudes individuais em relação à Igreja entre os nazistas variavam de cooperativas a hostis.[58]
A Igreja foi chamada de Sekte (“seita”) pelos nazistas,[59] o que tinha tanto um significado técnico quanto pejorativo na Alemanha.[60]
Os nazistas espionaram a Igreja?
Sim. Relatórios internos e memorandos da polícia secreta nazista (a Gestapo) indicam que os membros e as atividades da Igreja na Alemanha estavam sendo monitorados.[61] Quando o Presidente Heber J. Grant visitou a Alemanha e falou aos santos em Frankfurt e Berlim em 1937, ele foi monitorado e seus discursos foram registrados por agentes nazistas.[62]
Os santos dos últimos dias na Alemanha foram perseguidos pelos nazistas?
Não, não como uma política oficial do governo.[63] No entanto, há relatos individuais de santos sendo assediados, ameaçados ou alvo dos nazistas,[64][65] e algumas publicações da Igreja foram proibidas ou confiscadas.[66][67]
O governo nazista chegou a proibir a Igreja ou expulsar missionários da Alemanha?
Não, porém os registros indicam que autoridades nazistas propuseram proibir missionários estrangeiros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias na Alemanha e discutiram uma proibição da Igreja.[68]
Os líderes da Igreja na Alemanha foram avisados explicitamente por autoridades nazistas de que, se se envolvessem em qualquer comportamento considerado adversário ao governo, a Igreja enfrentaria consequências severas.[69] Um líder local da Igreja em Hamburgo foi ameaçado pela Gestapo, que avisou que, se a Alemanha vencesse a guerra, a Igreja seria o próximo alvo — assim como os judeus tinham sido.[70]
Alguns santos alemães foram enviados para campos de concentração?
Sim. Alguns santos dos últimos dias foram enviados para campos de concentração; aparentemente, não só por serem membros da Igreja, mas por causa de oposição política aos nazistas ou por terem ascendência judaica.[71][72]
Os santos dos últimos dias lutaram no exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial?
Sim. Embora o número exato de santos alemães que lutaram na Wehrmacht, ou forças armadas da Alemanha, durante a guerra seja desconhecido, os historiadores documentaram santos alemães lutando em cada principal ramo das forças armadas alemãs.[73]
Quantos santos dos últimos dias alemães morreram durante a Segunda Guerra Mundial?
Estima-se que pelo menos mil santos dos últimos dias alemães perderam a vida como resultado da guerra, em combate ou como vítimas civis.[74]
Havia santos alemães que resistiram aos nazistas?
Sim. O exemplo mais conhecido é Helmuth Hübener, que, junto com amigos de seu ramo em Hamburgo, distribuiu panfletos anti-nazistas.[75] Hübener foi executado por suas ações contra o governo nazista.[76][77] Max Reschke[BIO] ajudou a esconder judeus dos nazistas,[78] e outro santo foi preso por se recusar a fazer a saudação nazista no trabalho.[79][80]
A décima segunda regra de fé fez as pessoas ficarem mais dispostas a se tornarem nazistas?
Possivelmente. A décima segunda regra de fé diz: "Cremos estar sujeitos a reis, presidentes, governantes e magistrados; em obedecer, honrar e apoiar a lei."[81] Isso tem sido interpretado como significando que os santos acreditam em defender as leis do país e ser bons cidadãos de qualquer país em que vivam,[82] e há pelo menos um relato de que esse versículo foi citado em apoio ao nacional-socialismo entre os santos dos últimos dias alemães.[83] Os líderes da missão na Alemanha também citaram a décima segunda regra de fé para sinalizar a disposição da Igreja de coexistir com os nazistas.[84]
É verdade que Heber J. Grant disse aos santos alemães que apoiassem os nazistas?
Não. Não há registro de o Presidente Grant ter instruído oficialmente os membros da Igreja na Alemanha a apoiar os nazistas ou se tornar membros do Partido Nazista. No entanto, em 8 de julho de 1937, ele fez um discurso aos santos em Frankfurt, instruindo-os sobre a Trindade, as Regras de Fé e a oração.[85] Mais tarde naquele mês, em Berlim, o Presidente Grant fez um discurso semelhante.[86]
Por que há uma foto de Heber J. Grant na frente de uma bandeira nazista?
No verão de 1937, o Presidente Grant fez uma viagem pela Europa para falar aos membros da Igreja, incluindo paradas na Suíça e na Alemanha.[87] Enquanto estava em Frankfurt, na Alemanha, em 8 de julho de 1937, o Presidente Grant falou a quase mil pessoas reunidas em um centro comunitário local.[88]
O local, que pertencia a nazistas da região, exibia a bandeira com a suástica, que era a bandeira nacional da Alemanha na época.[89][90] Da mesma forma, outras fotografias daquela viagem mostram o Presidente Grant falando a membros da Igreja na Suíça diante da bandeira da Suíça.[91]


J. Reuben Clark tinha visões antissemitas?
Sim. J. Reuben Clark,[BIO] que era apóstolo e membro da Primeira Presidência, tinha algumas atitudes e crenças antissemitas,[92] embora não apoiasse o nazismo.[93]
A Igreja fez alguma declaração relacionada ao movimento neonazista?
Sim. Em 2017, em resposta às marchas de supremacistas brancos e neonazistas em Charlottesville, Virgínia, a Igreja divulgou uma declaração condenando aqueles que "promovem ou seguem uma agenda de 'cultura branca' ou supremacia branca".[94]



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