José Smith e o Saltério Grego

Os santos dos últimos dias acreditam que José Smith foi chamado por Deus para ser profeta, vidente, revelador e tradutor de escritura antiga. Certos episódios na vida de José Smith, porém, fazem alguns duvidarem de seu chamado e de sua declarada capacidade como tradutor. Um desses episódios envolve um clérigo inglês chamado Henry Caswall e um manuscrito grego antigo (uma cópia dos Salmos). O episódio do "Saltério Grego" é uma nota de rodapé curta na história da Igreja, mas tem sido usado para enfraquecer o papel profético de José Smith.
O que é o “incidente do Saltério Grego”?
Em abril de 1842, um inglês chamado Henry Caswall[BIO] visitou José Smith[BIO] em Nauvoo.[1] Durante a reunião deles, ele apresentou a José uma cópia grega medieval dos Salmos (conhecida como um “Saltério Grego”), que, segundo Caswall, José identificou por engano como um “dicionário de hieróglifos egípcios”.[2]
De onde vem essa história?
Henry Caswall é a única fonte dessa história, e ele a contou várias vezes entre 1842 e 1852.[3]
Qual era a relação de Caswall com a Igreja?
Caswall era um clérigo episcopal e depois anglicano que visitou Nauvoo em 1842.[4] Em 1839, antes de sua visita a Nauvoo, ele escreveu que o movimento dos santos dos últimos dias era “uma das imposturas mais grosseiras já impostas à credulidade humana” e descreveu os santos como “fanáticos” e sofrendo de uma “ilusão”.[5]
Há alguma evidência corroborativa de que Caswall estava em Nauvoo com um saltério naquela época?
Sim. Há evidências de várias fontes confirmando que Caswall estava em Nauvoo na época,[6] incluindo um relato de John Taylor[BIO] em que ele descreveu Caswall como um "cavalheiro", mas também um "homem perverso" que foi a Nauvoo com o "propósito de procurar o mal".[7]
Há também um relato anônimo de 50 anos depois que foi publicado no Buffalo Evening News e afirma ter visto o saltério que Caswall tinha em Nauvoo na época.[8]
Mais alguém corroborou especificamente o relato de Caswall de que José foi enganado pelo Saltério?
Não, e dois relatos de John Taylor parecem contradizê-lo.[9]

O relato de Caswall é confiável?
Sim e não. A afirmação de Caswall de que ele estava em Nauvoo com um saltério grego é confirmada por outras fontes.[10] No entanto, sua descrição de José Smith falando com falta de sofisticação exagerada (por exemplo, "isso não é grego" e "esses caracteres são egípcios") e com características físicas caricatas (por exemplo, "[José era] uma mistura curiosa de velhaco e palhaço . . . suas mãos são grandes e gordas. . .") não combina com relatos da época sobre a aparência e a fala de José, o que enfraquece a credibilidade da história de Caswall.[11]
José Smith afirmou que identificou o Saltério Grego por revelação?
Não. Nem Caswall nem qualquer outra fonte afirmam que José teve uma revelação sobre o conteúdo do manuscrito.[12][13]
José estava familiarizado com o grego na época do incidente?
Possivelmente. Há algumas evidências históricas de que José tinha estudado um pouco de grego antes de seu encontro com Caswall.[14]
No entanto, exemplos de Saltérios gregos medievais mostram que eles foram escritos em uma escrita que normalmente não era vista nas Bíblias gregas impressas da época de José Smith (veja a comparação lado a lado abaixo), e o próprio Caswall disse que seu manuscrito foi escrito em uma forma de escrita grega que “poucas pessoas conseguem ler”.[15] É possível que José, com seu estudo limitado de grego, não tivesse reconhecido o estilo medieval do grego.

Algo parecido com isso aconteceu com as placas de Kinderhook? Isso estabelece um padrão de José identificar errado coisas que eram levadas até ele?
A autoridade profética de José foi questionada tanto por Henry Caswall com o Saltério Grego quanto por Wilburn Fugate[BIO] com as placas de Kinderhook.[16] José tinha interesse e curiosidade por textos antigos, línguas e outras antiguidades, o que o tornou suscetível a pessoas mal-intencionadas que tentavam enganá-lo.[17]
No entanto, não há registro de José afirmar ter recebido revelação ou fazer declarações proféticas em resposta a esses itens (as Placas de Kinderhook e o Saltério Grego).
A Igreja já abordou esse episódio?
Não. O “incidente do Saltério Grego” tem sido principalmente um tema de interesse para críticos da Igreja e para historiadores e estudiosos santos dos últimos dias.[18] No entanto, o apóstolo John A. Widtsoe[BIO] o discutiu brevemente em um livro de 1951 sobre José Smith.[19]



about this topic